23.12.11

A carta que nunca escrevi.


Dear X

Vou pular aqui as delicadesas e municipalidades superficiais porque tais amenidades não cabem à situação (e tampouco me interessam).

Eu nunca entendi muito bem pq nunca viramos amigos. Por algum motivo existe essa sua aversão à minha pessoa que torna tudo muito mais impessoal e difícil. Oq eu acho uma pena, particularmente. Mas acho, especialmente, uma perda de tempo. Se fôssemos amigos, por exemplo, teríamos histórias engraçadas p/ contar e lembranças. Hj não temos nada e o vazio é sempre a pior escolha.

A parte disto, o fato é que sinto como se tivesse um grito entalado em minha garganta por muito tempo... e sinto que precisava gritá-lo. Mais ainda: precisava dos seus ouvidos p/ ele existir. E esse é o motivo pelo qual resolvi perder o meu tempo escrevendo-lhe (independente da sua opinião ou desejo de abstração).

(...)

Não sei nada de sua vida. Sei tanto de você quanto sei de mim mesma: muito pouco.

Somos 2 completos estranhos para nós e para o mundo (pelos motivos já citados acima).

Sei que seu caminho foi muito mais tortuoso e suas perdas muito maiores que as minhas. Sei que você mastiga seus pensamentos como meu pai, nascido e criado no mês de Agosto. Sei que você não se importa e a indiferença é a primeira grande desgraça da humanidade. Sei que gasto mais tempo com você do que deveria e testo sua paciência além do respeitável. Sei também que você vive na solidão do plástico. E isso é tudo.

E, ao mesmo tempo, são tantas coisas sobre mim que você ignora voluntariamente. Você não sabe que eu nunca aceitei um espectro de sonho. Você não sabe que minhas aleatoriedades não são exclusividade sua. Você não sabe que minha cor favorita é amarelo e que eu queria te indicar um livro p/ ler. Você não sabe que eu guardo (quase) tudo pq o esquecimento é a segunda grande desgraça da humanidade. Você não sabe que, apesar do que possa parecer, eu não quero mudar nada.

E na verdade nada disso faz muita diferença agora.

O que eu precisava é só o que você sempre foi: essa estátua com olhos de vidro que assiste a distância e em silêncio a repetição dos dias.... como no poema de Cecília.

Precisava que você soubesse do estrago que esse mesmo silêncio causou. Precisava que você soubesse da felicidade que eu te desejei e que você ignorou como quem não sente simpatia pela humanidade das pessoas. Precisava te ferir para cicatrizar minha veia exposta por tantos anos.

(....)

Na verdade não sei. Acho que precisar é um verbo exagerado. Ninguém precisa de nada. Podemos simplesmente escolher o abismo.... e de lá nos jogarmos.

Queria uma verdade incômoda pronunciada. Qualquer coisa de humano e imperfeito que saísse de você. Qualquer coisa que me fizesse pensar que, na verdade, valeu a pena porque viver é mesmo um caminho tortuoso (e isso não é culpa de ninguém). 

E eu me saí bem até agora. Mas isso pouco te importa. Tampouco te importa saber qual sua parcela de culpa nisso tudo.

Acho que as palavras que não são ditas nos matam aos poucos por dentro. E eu não quero morrer sem dizer tudo.

Gostaria que você soubesse desse grito. Das histórias desencontradas. Da decepção. Da beleza óbvia que nunca me convenceu. Da vida que nunca tive a chance de conhecer. Do buraco negro que custei a sair e de como isso me tornou uma pessoa melhor, porém mais triste.

Na verdade não entendo esse grito, ele não tem um propósito além de existir e se fundir na imensidão. Eu só queria que ele fosse embora...para dar lugar a outros talvez? Para criar mais espaço nos meus armários, minhas gavetas, minhas folhas onde já escrevi demasiadamente sobre a mesma história.

Quero que essa não-lembrança me deixe... assim como um fruto maduro que cai da árvore no seu tempo certo....


Quero passar o grito adiante.


E esta será a última vez que vou escrever para você. 


Sem felicitações.


18.12.11

wish


baby, don´t give up.

16.12.11

sobre outubro


A: Mas isso um dia vai passar?

TI: Oq?

A: Essa sensação que você nunca terá tempo o suficiente.

TI: Não.

o passar dos dias


acho que um dia o tempo vai levar todas as pessoas que eu conheço....sadicamente.....uma por uma....

e depois eu mesma terei ido embora

e sobrará o pó do sonho que fui....e que fomos...


a vida é um sopro.


11.12.11

nota mental


"Agnes, foco para a vida!"


*perdendo tempo com oq nunca aconteceu*

7.12.11

sobre os erros


Tenho pena de algumas pessoas.

Sabe... quando eu vi minha primeira estrela cadente eu me esquivei do deslumbramento e consegui me lembrar de fazer um pedido.

E eu me lembro especificamente que desejei a felicidade de uma pessoa (que não era eu - importante essa informação!)

Porém, quando eu vejo hoje, à distância, a vida desta pessoa eu sinto pena. Sinto pena de como ela desperdiçou a felicidade que eu desejei tão ingenuamente p/ ela.

Sinto pena de ver quantas chances de ser feliz ela deixou passar.

Sinto pena de ver ela cometendo os mesmo erros de outrora. Praticando a mesma apatia, o mesmo distanciamento silencioso.

Acho que as palavras que nunca foram ditas nos matam aos poucos por dentro.

Olho p/ esse silêncio e tenho pena.

Tenho pena do meu desejo desperdiçado.

Porém, mais ainda, tenho pena destas palavras desperdiçadas.



"quem te odeia pode fingir só p/ te fazer chorar.
mas eu te amarei"


6.12.11

eu gosto é do estrago

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz,
Quem então agora eu seria?

Ahh, tanto faz
Que o que não foi não é...



*para os que se arrependeram do que nunca fizeram*

5.12.11

apnéia

*agnes no fundo do mar*

T: oq vc está fazendo aí?

A: Não sei, vc que me colocou aqui!

T: vem, me dá sua mão.

A: não.

T: vem logo!

A: mentira!

*explosão no fundo do mar, somos jogados para lados opostos*

(musica tocando)
Yellow diamonds in the light
And we're standing side by side

agnes acorda.

foi um sonho...
será?